fabrina

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11.11.06

Tatitá

- Fala comigo.
- Não quero.
- Porquê?
- Não quero.
- Me explica?
- Eu gostaria de ser criança.
- Porquê?
- Porque criança não tem pudor de dizer que não gosta.

24.10.06

Buchechuda

Claudinha é uma locutora de rádio curda. Ela fugiu de sua cidade natal após ser espancada por revolucionários mancos do deserto sem nome. Cansada, ela foi trabalhar como locutora de trailler de cinema. Quando entra no trabalho, as secretárias resmungam que lá vem a buchechuda. Ela finge que não ouve.

21.10.06

Matilda

Matilda era uma calça roxa que não bebia desde que assassinou o seu tutor no Neuróticos Anônimos. Casanda da vida empolada, vestiu sua melhor blusa laranja de seda e se jogou na ponte. Insana gritava que queria sexo com qualquer um, mesmo que ele não fosse o Chico Buarque. Casou-se dias depois com um rato de laboratório que fazia cover do Chico na pizzaria falida da esquina.

17.10.06

Homem preto

Clarice tinha uma xaninha de algodão, mas na sua cabeça carregava um grande pau negro. Em Buenos Aires escrevia cartas saudosas para seu pinto. Falava sobre verões antingos e as rádios que eles ouviam. Mas nunca houve Buenos Aires. Apenas um argentino franco atirador que atacou o narrador desta história. Clarice era casada com o morto. Fugiu com o atirador, o seguro, um punhado de anfetaminas e sua coleção de Lego.

13.10.06

O alce indesejado

Alfafa era um alce púrpura muito bem relacionado. Costumava conviver com animais mais velhos e evoluídos. Embora a presença de Alfafa na mesa contrariasse qualquer idéia de evolução. Um dia, o alce resolveu ganhar o mundo e foi morar em Ibiza. Não conseguindo chegar até o paraíso gay, ele se contentou com um genérico brasileiro e ficou por lá. Com o tempo, Alfafa foi melhorando seu vocabulário e alugando DVDs na Blockbuster.
Arrumou um namorado cítrico e problemático, mas que segurava suas mãos em momentos de medo, angústias e desfiles de estilistas decadentes. Alfafa tinha resposta para tudo e por mais que estudasse e se tornasse fino, nunca teve amigos. Não porque falava besteiras e bobagens o tempo todo, nem mesmo pela sua presunção cheia de melanina. Alfafa nunca foi aceito porque ainda seguia seu instinto mais primitivo: fazia cabaninha para palitar os dentes.

12.10.06

Ser cafona

Sabe, eu tomaria uma cerveja hoje. Encheria a cara na verdade. Sairia cantando Nelson Gonçalves pela rua. Hoje me deu uma vontade incrível de ser cafona.

11.10.06

Eleonore

Já andei lado a lado com uma capivara. Logo após ela fungar no meu cofrinho. Meses depois, conheci Eleonore, uma capivara dentuça de pedra que me cantava toda vez que ia ao trabalho. Um dia ela sumiu. Pedi demissão e fui morar com um guitarrista que ganha a vida fazendo covers do Tremendão.

Audrey

Reich era um anão moscovita que tinha planos de se casar com Audrey, uma cantora judia alterada geneticamente. Para viabilizar a festa e quitar o pagamento do edredom, ele trabalhou durante sete anos com o cientista e pai da noiva, que na noite do casamento, encheu o noivo de LSD e o sodomizou recitando frases confusas e sussurrando palavras como "fofo".
- Tá piscando. Enxovalha-me.
Envergonhado de tamanha safadeza, Reich percorreu grandes desertos atrás do sábio que poderia lhe dizer que rumo tomar na vida. Cansado, ele parou para tomar água e descansar. Uns urubus enormes vieram e levaram suas vísceras e olhos. Audrey nunca sentiu saudades.